terça-feira, 18 de maio de 2010

Randomia



isso já tá virando um vício
se for assim, então eu sou morna
me leva, eu quero...
que sensibilidade!
queria tanto um desses para mim!
Era uma bela carta...
Quando você virá?

Em forma de lágrima,
a tristeza escreve no papel
eu quero ter mais tempo para tudo
E pôr na cabeça que é possível sim...

Que é possível recomeçar...

terça-feira, 27 de abril de 2010

Daninhas, casulos e realejo

Ao olhar o título desse post, você deve se perguntar porque diabos a insana dona desse blog juntou três palavras que não tem nada que ver uma com a outra.E eu te digo: dessa vez, caro leitor , não fui eu que decidi se combinava, mas sim Rosana Palazyan.A exposição dela reúne elementos à primeira vista impensáveis de serem análogos, contudo graças à sua abordagem, ganham papéis contíguos.
A arquiteta e ex-estudante da Escola de Artes Visuais do Parque Lage restabeleceu à Casa França-Brasil uma das antigas funções do centro cultural  através de seu planejamento de ocupação e usufruto.Remontando aos tempos de que era uma praça de comércio e posteriormente uma alfândega, durante os quais circulavam uma grande quantidade de transeuntes, foi conferido ao estabelecimento maior possibilidade de integração das salas e liberdade aos visitantes, tipo de técnica conhecida como site especific art – a arte trabalhada para ressaltar as características e utilidades de um lugar.
A mostra possui quatro obras e reserva também um cômodo à parte para expor o processo de criação de Rosana por meio de anotações, fotos, xerox e recortes de jornais.A primeira chama-se O Realejo.Nesta seção utiliza-se uma vídeoinstalação que projeta imagens do senhor Antonio com o seu periquito, o qual retira do realejo mensagens proferidas por moradores de rua do Rio de Janeiro e de São Paulo entrevistados por Palazyan durante um trabalho com eles executado por ela a partir de meados dos anos 1990.O instrumento sonoro que não mais integra a paisagem urbana relembra a infância da artista, assim como traduz os anseios, pensamentos e preocupações da população desabrigada e pouco ouvida.
O Jardim das daninhas, constituído de plantas indesejadas que tomam as cercanias das espécies “normais”, foi maquinado com o intuito de surtir dúvidas e reflexões a respeito do que é ser daninha, uma vez que qualquer vegetal pode ser considerado dessa forma, bastando apenas estar em um ambiente errado. Estes conceitos se adéquam perfeitamente à realidade dos mendigos das grandes cidades, já que estes não são bem quistos e sim extirpados da sociedade.
Bordados de cabelo sobre tecidos e plantas daninhas dessecadas são os materiais básicos usados em Por que daninhas?.As madeixas em forma de raiz reproduzem frases definidoras dos inços de livros de astronomia.
A metamorfose da lagarta em borboleta se transmuta em metáfora para retratar a mudança para melhor da vidas dos moradores de rua na série No lugar do outro, baseada em relatos dos mesmos.Casulos de pano mostram-se pregados na parede e alguns já abertos apresentam desenhos das linhas das mãos de pessoas que reverteram o jogo, deixaram a situação de transparência e miséria da sarjeta para a dignidade.Tudo respira mudança.
Para montar a exibição, foram feitas pesquisas em livros de botânica e conversas com especialistas e aplicadas 13 mil mudas nos canteiros temporários da casa. Mais do que exageros em números, Rosana explodiu em suavidade e abstração para retratar assuntos delicados que assolam o cotidiano de muitos, costurando significados, oximoros e metáforas entre objetos e situações aparentemente desconexas.
Tive a sorte de apreciar, junto com outras pessoas que se situavam no local, uma explicação da exposição com a presença da própria Rosana Palazyan, sem nem ter sabido sobre a sua aparição naquele dia. Mera obra do acaso (ou seria do destino, do Ser...). Quer melhor?

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Neonônimo

Eu sinto que devo mudar o nome do presente blog.Mas para qual? Aceito sugestões.

terça-feira, 13 de abril de 2010

A catarse e a metamorfose

Quase que diariamente eu sofro catarses. A gente se policia tanto, se comprime pra dar em um espaço ocasional, mas vem uma situação inusitada e te alarga. Quando menos espero algo acontece. É incrível a capacidade que a vida tem de te pregar peças.

É alguém que aparece e que você não esperava. É uma pergunta que te penetra e você nem tinha escudo pra se defender. Uma opinião que você nunca pensara ser proferida logo naquela hora.

Sim. Pra mim isso são catarses. A catarse de Aristóteles, aquela que te faz por os males e os bens para fora. Tudo. Te faz repensar certas concepções que você pensou serem inabaláveis.É quase um vômito da alma.

E é engraçado que hoje eu presenciei uma exposição que tinha uma composição que expunha uma visão um pouco sobre metamorfose, sobre o ciclo de vida da borboleta, retratado de uma forma sutil, com cores pálidas, mas deixar sem de se vestir de uma verdade muito forte: mudança que é natural em todo ser vivo ou não-vivente, que acontece desde uma borboleta, mudança essa que é tão marcante e perceptível, até uma pedra, que sofre a erosão do tempo (tempo meteorológico que age dentro de um intervalo de tempo cronológico infinito) e que não estabelece uma transformação mais imediata.

Mas tenho consciência que essas tramas da vida são necessárias. Eu sei que na hora não acho tão oportuno, mas depois penso: “eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo...” .Aí degluto novos pensamentos e opiniões, até que eu expurgue novamente aquilo que já não me serve.

Sejamos, então, senhores, metamorfoses ambulantes.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Hell de Janeiro

É inacreditável como uma cidade como o Rio de janeiro, uma das mais belas do mundo, ainda sofra com os estragos ocasionados pelas chuvas torrenciais ocorridas recentemente. Isso acontece há anos e nada tem sido feito desde sempre.
Troca-se de governantes, mas não se troca de atitude em relação aos problemas sofridos pelo carioca. Sabe-se que a região, naturalmente vítima de intempéries justamente por se situar em uma área de choque entre massas de ar, sofrerá eternamente impactos. Porém, não necessariamente esses impactos devem traduzir-se em mortes.
O que se vê é um descaso de todos que se converteu em barbaridades. Eu reitero: descaso de TODOS. Por parte do cidadão, que mesmo sabendo que não se deve jogar lixo em bueiros, na rua, em córregos e rios, insiste nesse ato sem se preocupar que da próxima vez pode ser ele que tenha os seus pertences perdidos, conseguidos com o esforço da luta diária. Pior é quando a consequência atinge quem cumpre o seu papel direitinho como cidadão. E por parte das autoridades eleitas por nós, que possuem ciência dos ciclos naturais que castigam a cidade e, no entanto continuam inertes diante da situação, apenas limitados a reparar os estragos que se repetem. Não adianta chamar a Comlurb para limpar a lama que toma as ruas nem o reboque para retirar os carros que se amontoam e obstruem o fluxo de veículos. Isso tudo são medidas paliativas. O correto é impor as medidas preventivas.
Todo esse redemoinho vem afligir a mente dos cariocas, como se não bastassem os causos já enfrentados, como a violência urbana, a crise do transporte e os buracos espalhados pelo calçamento.
Assim como existe uma grande mobilização das pessoas para se combater a dengue, através de publicidades intermitentes nos diversos meios de comunicação, visita de agentes sanitários nas residências e panfletos explicativos distribuídos em diversos lugares, urge em ser feito o mesmo para as enchentes e deslizamentos de terra: propaganda pesada para cima da população e programas escolares que incentivem uma postura civilizada das crianças, os ditos futuros cidadãos, assim como investimento em construção de moradias para aqueles que se encontram em área de risco ( atualmente, só se efetiva essa espécie de habitação quando se sucedem catástrofes;depois que tudo passa, volta à mesma).A limpeza dos canais de escoamento, que cabe ao Estado,  também não pode deixar de ser executada, com o devido acompanhamento feito pelos principais interessados,os habitantes do Rio.
Eu acompanhava a cobertura jornalística pela televisão dos lamentáveis acontecimentos e foi suscitada por um repórter mais ou menos a seguinte pergunta: "e o que acontecerá durante as Olimpíadas de 2016?”. Ação é a melhor palavra para eliminar essa pergunta e acabar com iminentes dúvidas. Os acontecimentos da natureza ninguém pode prever, porém a tomada de decisões que viabilizam um extraordinário megaevento são mais do que possíveis, são necessárias.